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Febre amarela. Pele amarelada e febre alta são os principais sintomas da febre amarela É causada por um vírus do grupo arbovírus (arthropod born virus), mas quem o transmite é o mosquito Aedes aegypti - o mesmo da dengue. Tudo começa quando o mosquito contaminado pica uma pessoa. O vírus é introduzido junto com a saliva do inseto e cai na corrente sanguínea até se instalar no fígado, baço, rins, medula óssea e gânglios linfáticos. O tempo de incubação é de três a seis dias.
O doente sente dores nos músculos, nos ossos, nas articulações e na cabeça, além da falta de apetite e vômitos que podem tornar-se escuros devido a hemorragias digestivas. A pele fica amarela por causa do excesso de bilirrubina - um pigmento amarelo naturalmente presente na bílis (produzida pelo fígado) que se acumula no sangue.
O tratamento consiste na reidratação e reposição de sangue, em casos de hemorragias. As pessoas que vivem em áreas com grande incidência de febre amarela, como a Amazônia, devem tomar uma vacina que tem validade de dez anos. Além disso, é preciso eliminar os focos de água parada, onde o mosquito se reproduz.
Tuberculose. Até o final do século XVIII, a tuberculose era a responsável por um terço das mortes que ocorriam no Rio de Janeiro. É uma doença crônica e está associada à aglomeração humana e às más condições de higiene e de habitação. Na década de 1980, o número de mortes voltou a crescer. O vilão é o bacilo de Koch, nome popular do Mycobacterium tuberculosis. O contágio é através das vias respiratórias (as pequenas partículas de saliva expelidas pelos doentes ao falar, tossir e espirrar). Também se contrai tuberculose por meio do uso de objetos, roupas e utensílios contaminados. A tuberculose ataca o pulmão.
Os sintomas são tosse, catarro, falta de apetite, dor no peito e nas costas, emagrecimento, febre, fraqueza e hemoptise - hemorragias provocadas durante o acesso de tosse, quando alguns vasos sanguíneos do pulmão se rompem.
O tratamento é à base de antibióticos. A melhor prevenção é a vacina BCG, além de saneamento básico e alimentação e moradia sadias.
Malária. No Brasil, o causador mais comum da malária é o Plasmodium vivax, um protozoário. Ao picar uma pessoa, a fêmea do mosquito Anopheles transmite-lhe os agentes causadores da doença junto com a saliva. Depois de passar pela pele, o parasite entra na corrente sanguínea e vai para o fígado. Lá ele se divide e invade os glóbulos vermelhos, que arrebentam e liberam novos plasmódios na corrente sanguínea, os quais atacam outros glóbulos, reiniciando o ciclo. Os picos de febre da malária coincidem com aliberação de plasmódios no sangue.
O primeiro ataque acontece entre oito e 25 dias após a picada do mosquito. Os ataques têm três estágios: tremores e calafrios, febre e suor em abundância. A malária provoca anemia, dor de cabeça, fadiga e náusea. A prevenção consiste em evitar o contato com o mosquito, por meio da colocação de mosquiteiros nas casas e da dedetização de pântanos e áreas alagadas, onde as fêmeas do Anopheles depositam seus ovos e os mosquitos se multiplicam.
O tratamento contra a malária é feito com quinino, uma substância extraída da casca de uma árvore, a cinchona, que mata o parasita nas células do sangue, mas não destroi os que estão no fígado. Por isso, pode haver reinfestação. O número de casos de malária no Brasil tem crescido desde a década de 1970. Com a destruição do hábitat do Anopheles, o mosquito foi empurrado para junto das casas, onde as águas do esgoto doméstico são um excelente meio para a sua reprodução. O garimpo próximo aos cursos de águas também contribui para a elevada incidência da doença;
Doença de Chagas. É uma doença endêmica no país. O causador é o Tripanossoma cruzi, descoberto, em 1909, por Carlos Chagas. Esse protozoário instala-se nas células do sistema endotelial (baço, gânglios linfáticos, endotélio dos vasos sanguíneos), nas fibras musculares e cardíacas e, às vezes, no sistema nervoso central. É transmitido pelo "barbeiro", o percevejo Panstrongylus megistus ou Triatoma infestans. Toda vez que o percevejo suga o sangue de uma pessoa seu estômago enche-se e pressiona o intestino, que elimina as fezes repletas de tripanossomas. Quando a pessoa coça o local, põe os tripanossomas para dentro do organismo. Através da circulação sanguínea, eles chegam aos vários órgãos. A doença leva muitos anos para se manifestar e, em geral, aparece como insuficiência cardíaca. Os protozoários penetram no músculo cardíaco, prejudicando o funcionamento do coração.
A prevenção é o único remédio. A principal medida é a construção de casas de alvenaria, pois é nas frestas das casas de pau-a-pique que o barbeiro costuma se alojar. O uso de inseticidas e de cortinados também ajuda.
Cólera. A cólera foi erradicada no Brasil no final do século XIX, graças ao saneamento básico, mas retornou em 1991. É causada por uma bactéria, a Vibrio cholerae, conhecida como vibrião colérico. A transmissão acontece por meio da ingestão de água e alimentos contaminados. A bactéria instala-se no intestino delgado, onde ela se reproduz e secreta um líquido branco. A grande perda de água pode levar à desidratação e até à morte. Algumas pessoas podem ser portadoras do vibrião, sem apresentar sintomas.
Existe vacina, mas a proteção não ultrapassa seis meses. Por isso, o jeito é caprichar na higiene. Não lançar dejetos humanos no ambiente; lavar as mãos depois de ir ao banheiro e antes de comer; lavar os alimentos; evitar hortaliças e frutos do mar crus ou malcozidos; utilizar apenas água potável - na sua ausência, fervê-la por 2 a 3 minutos antes de usá-la e não consumir refrigerantes e sucos preparados com água de origem desconhecida. A cólera requer cuidado médico urgente, pois pode matar. O tratamento inclui antibióticos e reidratação.
REVISTA LIÇÃO DE CASA, Nº 19, PÁGINAS 4 A 7, EDITORA KLICK, 1999


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