Morar junto... Encare essa!

Viver com a mulher dos seus sonhos não tem de custar sua individualidade nem abalar o clima de paz entre vocês. É só você agir do jeito certo.

Há quem diga que não existe nada como quatro paredes oara sufocar as chances de um relacionamento feliz. Ainda assim, os dispostos a colocar a teoria à prova são maioria - 66,6 milhões de casados contra 62,2 milhões de solteiros, segundo o levantamento do estado civil da população brasileira concluído pelo IBGE em 2009. A pesquisa também aponta que houve um crescimentos de quase 30% no número de casais que não são casados na última década.

As estatísticas mostram o que a ciência já comprovou. Viver acompanhado é melhor do que sozinho. Uma pesquisa publicada no periódico americano Journal of Marriage and Family mostra que os casais que moram juntos transam mais do que os que vivem separados. Outros estudos sugerem que parceiros que dividem o mesmo espaço são menos estressados e vivem mais do que os solteiros ou comprometidos que moram em casas separadas.

Não existe fórmula mágica: a principal hipótese dos pesquisadores é que, casados (oficialmente ou não), os indivíduos têm mais disposição para cuidar da saúde, maior apoio psicológico e um estilo de vida mais saudável, com tendência menor a adotar comportamentos de risco e se acabar na birita, na junk food e no sedentarismo. Faltava argumento para mandar fazer uma cópia da chave para ela? Agora não falta mais. Mas como nada que é bom é tão simples assim, vale lembrar: dividir o mesmo teto não é tarefa fácil.

Dê a cara de vocês à sua casa. O psicólogo comportamental americano Sam Gosling estudou como o conteúdo do espaço onde vivemos afeta a nossa cabeça, e afirma que os objetos da nossa casa servem como "reivindicadores de identidade, que nos ligam ao lugar e reforçam aquilo que somos. Quando duas pessoas dividem o mesmo teto, isso deve valer para ambas. Além das fotografias de viagens, objetos e móveis comprados junto com ela, reserve espaço nos cômodos para suas referências pessoais e para as dela também. "Compor uma relação e um ambiente com os gostos, os interesses e as histórias de cada um é o que torna a relação viva", fala a psicóloga Carmen Cerqueira Cesar, de São Paulo. "Não é certo pensar que as individualidades acabam porque vocês se casaram. Isso faria desaparecer a pessoa por quem você se apaixonou".

Se você tem uma prateleira só para sua coleção de latas de cerveja, deixe sua parceira escolher os quadros para decorar a parede da sala. Esse espírito de independência e respeito pelo outro garante a harmonia e o sexo em dia - como revelou uma pesquisa publicada no periódico americano Personal Relationships, que mostrou que casais independentes são mais afetivos na cama.

Invista em um eterno namoro. Como se não bastasse a mudança de espaço físico e de vivência, ainda existe a dúvida de que o dia-a-dia sob o mesmo teto resulte em uma vida sexual morna e no fim do entusiasmo de quando você conheceu a garota. "É verdade que, ao fazer cópia das chaves para a parceira, você está deixando um sistema particular e entrando em outro", diz a psicóloga americana Helen Fisher.

"Mas viver a dois ´um estado totalmente natural, que os antropólogos chamam de 'casamento experimental'. É uma forma moderna de fazer a velha coisa de sempre." Para evitar que a monotonia se instale, é preciso preservar as expectativas e o prazer comum do início do namoro. Como? Esforçando-se.

Pelo menos uma ou duas vezes por mês, planeje uma viagem a dois ou um jantar com amigos. Isso desperta a dopamina e a oxitocina, substâncias ligadas à felicidade, ao relaxamento e ao prazer sexual, além de reforçar o vínculo entre vocês. Também é uma oportunidade de praticarem a sedução, muitas vezes deixada de lado na rotina do casamento. Alguns dias depois, mande para ela uma foto de vocês dois naquela ocasião. Para o psicólogo Sam Gosling, isso vai desencadear emoções prazerosas e fazer com que o desejo de ambos esteja sempre em alta.

Drible as chatices da rotina. Organizar o funcionamento de uma casa e definir as tarefas entre você e sua garota é uma batalha que não precisa virar uma guerra. Quem recolhe o lixo, quem lava a louça, quem joga fora os jornais acumulados da semana... Se nada disso foi conversado antes de vocês decidirem morar juntos, o ideal é tocar no assunto assim que possível.

"Dividir uma casa implica a administração de um espaço em comum", diz a psicóloga Carmen. "Para ser bom para os dois, tem de ser parceria e comprometimento." Mas isso não significa fazer tudo do jeito que o outro gosta: cada um tem de ser claro sobre o que pensa, o que sente e seus limites. Leia-se: vocês também estão liberados para pedir o fim de hábitos que os incomodam, como pendurar a calcinha na torneira do box ou deixar a toalha molhada em cima da cama. Desde que faça com jeito.

"Experimente usar 'eu' ao invés de 'você' na hora de mostrar sua visão das coisas", fala a psicóloga Marina Vasconcelos, de São Paulo. "No lugar de 'você nunca faz o que eu peço', por exemplo, 'eu queria que você desse mais atenção ao que eu peço'." Assim, menos imperativo e mais parceiro, crescem suas chances de conseguir o que quiser.

Acerte a temperatura. Se na vida a dois não dá para evitar conflitos, faça sua parte para torná-los mais amenos ao planejar o lugar que vai dividir com sua parceira. O ideal é que seja fresco e ventilado, já que ambientes quentes e abafados afetam negativamente o humor e podem ser o estopim quando uma briga está perto de explodir. No piso, cimento queimado, pedra, cerâmica ou porcelanato refrescam a residência, enquanto madeira e carpete esquentam. Nas paredes, as cores também influenciam: azul e verde, por exemplo, dão a sensação de ambiente frio, enquanto vermelho e laranja remetem ao calor.

Plantas e flores (desde que próprias para ambientes internos) são sempre bem-vindas - um estudo da Nasa, a agência espacial americana, demonstrou que elas reduzem a poeira e as substâncias químicas domésticas em 20%, o que tora seu lar mais saudável, fresco e calmo.

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